Estudo mapeia o cenário do conhecimento científico sobre conservação e biodiversidade na Amazônia

 

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Pesquisadores do Laboratório de Conservação no Século XXI da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade de Lisboa (ULisboa)  mapearam os principais locais de pesquisa sobre conservação e biodiversidade na Amazônia e identificaram regiões com baixa densidade de estudos e que também se encontram ameaçadas por desmatamento e mudanças climáticas. O mapeamento fornece um quadro geral sobre as regiões estudadas da Amazônia e permite identificar, além dos limites geográficos do conhecimento, tendências referentes à sua expansão.

O artigo intitulado Geographic trends and information deficits in Amazonian conservation research foi publicado na edição de agosto (2015) da revista Biodiversity and Conservation (http://dx.doi.org/10.1007/s10531-015-0981-x) e é parte do projeto LSA: Large-scale aspects of Sustainable agriculture in Amazonia financiado pela Betty and Gordon Moore Foundation, e coordenado pelo Prof. Dr. Marcos Heil Costa (UFV). O estudo também teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para a realização do mapeamento, os pesquisadores buscaram artigos referentes à conservação e/ou biodiversidade na Amazônia publicados em revistas científicas de circulação internacional. Ao final da busca, obtiveram 857 artigos com um total de cerca de 4000 coordenadas geográficas de locais de pesquisa. O próximo passo dos pesquisadores foi gerar mapas com essas coordenadas para analisar as tendências da distribuição geográfica da pesquisa ao longo dos anos e, principalmente, comparar com as regiões da Amazônia que estão sob ameaça de desmatamento e de pressões devido às mudanças climáticas.

Os resultados demonstram que a pesquisa científica na Amazônia apresenta maior densidade ao longo dos principais rios e cidades que compõem a floresta. Enquanto isso, regiões ao noroeste e ao sul/sudeste da floresta apresentam baixa densidade de pesquisa. A região sul/sudeste é justamente onde situa-se o Arco do Desmatamento, região sob forte pressão pelo avanço da fronteira agrícola e também pelas mudanças climáticas. Os pesquisadores argumentam que diversos fatores podem concorrer para influenciar a tendência de nucleação das pesquisas ao longo dos rios e cidades, como a acessibilidade, a descoberta de algum objeto de interesse de estudo (como uma nova espécie) ou a instalação de uma infraestrutura de pesquisa.

Outra descoberta importante é que as Unidades de Conservação (UCs) e Territórios Indígenas apresentam baixa densidade de pesquisa quando comparadas às áreas não protegidas da Amazônia. No Brasil, os Territórios Indígenas apresentam uma legislação específica que pode inibir as pesquisas em suas áreas, entretanto, as UCs têm como um de seus objetivos a realização de pesquisas. Este resultado pode indicar algumas barreiras de acesso para a realização de pesquisas em UCs da Amazônia (por exemplo, isolamento, acessibilidade, infraestrutura, burocracia, etc).

Por fim, os pesquisadores concluem que há um claro déficit do conhecimento científico em grandes áreas geográficas da Amazônia ameaçadas pela ação humana, constituindo um cenário que requer grande atenção por parte dos governos dos países que abrigam a Floresta, bem como da comunidade internacional. Desta forma, sugerem que as políticas de distribuição de recursos para pesquisa em conservação/biodiversidade considerem estas áreas pouco estudadas e sob ameaça. Estes resultados colocam aos gestores políticos e pesquisadores o desafio de preencher essas lacunas geográficas sobre o conhecimento científico enquanto tenta-se mitigar ou frear o processo de perda da Floresta Amazônica.

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