Artigo publicado na Science Advances conta com coautoria da pesquisadora Juliana Stropp do Lacos 21

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Mais da metade de todas as espécies arbóreas da Amazônia, a mais diversa floresta do mundo, podem estar globalmente ameaçadas, segundo um novo estudo. O estudo também sugere que  parques, reservas e terras indígenas, se bem gerenciados, podem proteger a maioria das espécies ameaçadas. Os achados foram anunciados por uma equipe de pesquisa composta por 158 pesquisadores de 21 países, liderada por Hans ter Steege , pesquisador do Naturalis Biodiversity Center na Holanda e Nigel Pitman, do Field Museu em Chicago, EUA.

As florestas na Amazônia estão sendo afetadas pelo uso da terra desde os anos 50, mas os cientistas ainda possuem pouco conhecimento de como isto tem prejudicado as populações de espécies arbóreas.

O novo estudo, publicado esta semana na revista Science Advances, comparou dados de monitoramentos florestais ao longo da Amazônia com mapas de desmatamento atuais e futuros para estimar quantas espécies arbóreas já foram perdidas e onde o problema é mais grave.

Os autores concluíram que a Amazônia pode abrigar mais de 15.000 espécies arbóreas, dentre as quais 36 a 57 por cento estão globalmente ameaçadas, segundo os critérios de avaliação da lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN.

“Não estamos dizendo que a situação na Amazônia se tornou repentinamente pior para as espécies arbóreas”, afirmou Pitman. Estamos apenas oferecendo uma nova estimativa de como estas espécies têm sido afetadas pelo desmatamento histórico e como ainda serão afetadas pela perda de florestas no futuro.

A equipe de pesquisadores havia relatado na Science em 2013 que a Amazônia pode abrigar mais de 15.000 espécies de árvores. O novo estudo estima que mais de 8.690 destas espécies podem ser extintas. Considerando que as mesmas tendências observadas na Amazônia são aplicáveis em todos os trópicos, os pesquisadores argumentam que a maioria das mais de 40.000 espécies de árvores tropicais no mundo igualmente correm os mesmo riscos.

Felizmente, segundo afirmaram os autores, as áreas protegidas e terras indígenas cobrem no momento mais da metade da Bacia Amazônica e igualmente contêm consideráveis populações da maioria das espécies ameaçadas.

“Estas são boas notícias da Amazônia, ainda não muito conhecidas“, afirma ter Steege. “Nas décadas recentes os países amazônicos têm feito grandes avanços na expansão de parques e no fortalecimento dos direitos indígenas à terra”, continua. “E nosso estudo mostra que isto traz grande benefícios para a biodiversidade.”

Todavia, o estudo enfatiza que parques e reservas somente irão prevenir a extinção de espécies ameaçadas caso  não sofram maior degradação, afirma o brasileiro Carlos Peres, da School of Environmental  Sciences em Norwich, Reino unido. Os autores alertam que as florestas e reservas amazônicas ainda enfrentam uma barreira de ameaças, da construção de barragem  e mineração, a queimadas e secas, intensificadas pelo aquecimento global, além da invasão direta de terra indígenas.

“A vasta maioria das áreas protegidas na Amazônia não tem plano de manejo ou orçamento, e poucas pessoas residentes qualificadas”, afirma Rafael Salomão do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Brasil.

“Esta é uma batalha que nós veremos se desenrolar em diferentes épocas“,  afirma William Laurance da James Cook University na Austrália.

“Ou nos levantamos para proteger estes importantes parques e reservas indígenas, ou o desmatamento irá corroê-los até presenciarmos extinções em larga escala”, afirma Laurance.

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