Comunicação científica é tema de discussão no LACOS 21

Uma vez mais a disciplina de Divulgação Científica (do curso de Ciências Biológicas da UFAL Maceió) trouxe convidados da área de comunicação pra ampliar nossas discussões. A atividade foi realizada no nosso Laboratório, na manhã desta segunda-feira, 19 de fevereiro.

Os convidados, desta vez, foram Hiago Rocha, jornalista formado pelo UFAL e aluno de mestrado, integrante do Labjor/IEL/Unicamp, e Pedro Barros, também formado em jornalismo pela UFAL e mestrando de História/UFAL.

A professora responsável pela disciplina, Drª. Ana Malhado, explica o porquê da participação dos jornalistas na disciplina: – “Achamos interessante trazer profissionais diferentes porque é uma oportunidade de aumentar nossas discussões e entender os desafios da comunicação científica”.

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Professora Ana Malhado e Pedro Barros (foto: Bárbara Pinheiro).

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Hiago Rocha (foto: Bárbara Pinheiro).

Hiago apresentou uma retrospectiva da ciência como fonte de informação para resolução de problemas. E introduziu à turma os conceitos de pós verdade e fakenews. Onde a pós verdade (tida como a palavra do ano de 2016, pela Universidade de Oxford) seria “a quebra de uma rigidez na fonte de informação, onde as pessoas passam a não depender de um polo emissor de informação”. Instigando um debate atual sobre a disseminação de notícias falsas, sobre o uso da divulgação de informação errônea, como no atual caso de “macacos causam febre amarela”, que vem levando a lamentável morte de centenas de macacos por uma informação distorcida.

Apresentou também o conceito de Letramento Científico, que seria “a capacidade de engajar-se em questões científicas, como cidadão capaz de compreender e tomar decisões sobre o mundo natural e as mudanças nele ocorridas”. Hiago define a comunicação cientifica como “um instrumento para democratização do conhecimento científico, realizado para trazer a população e cientistas em um bem comum para o desenvolvimento de ciência”.

Pedro fez sua apresentação com suas experiências em jornalismo científico em Alagoas, desde amador até seus trabalhos de divulgação científica, que abrangem blogs, exposições, eventos, acompanhamento de disciplinas, produção de podcast etc., explanando os elementos e recursos que fazem o diferencial no momento de passar a informação, como o uso de imagens, o uso de palavras e termos mais acessíveis ao público em geral, as formas de leitura não lineares e a importância da opinião e técnica de outros profissionais nesta etapa, como, por exemplo, os designers.

Em sua fala, afirma que, como objetivo, a comunicação tem de dar visibilidade às ações, legitimando os trabalhos das instituições, pesquisadores etc. Sobre a ciência, acredita que, como atividade humana, está sujeita a demanda da população, corroborando com Hiago, quando afirma a ciência como resolução de problemas.

O mais legal desta proposta de multidisciplinaridade são as discussões que nos proporciona, além de observar como alguns dos desafios são tão comuns entre os participantes, mesmo que de diferentes áreas.

Nossa pós-doc., Barbara Pinheiro, concluiu nossa discussão com um questionamento, que reconhecemos como atual, geral e emergencial, que é como nossa pesquisa pode de fato contribuir para formulação de políticas públicas, de leis etc.? Como podemos chamar atenção dos grandes tomadores de decisão? Como podemos nos tornar também ativistas?

Deixamos aqui nosso anseio para respostas a essas perguntas e as portas aberta para novas discussões. Quer conversar com a gente? Quer discutir ciência? Entre em contato! Nosso e-mail é lacos21ufal@gmail.com

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Integrantes do LACOS 21 e convidados (foto: Bárbara Pinheiro).

Por Norah Gamarra.