Mudanças climáticas e biodiversidade são motivos de discussão em evento acadêmico

Como de praxe, o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DiBiCT) realizou no mês de maio o BIPAI (Banca de Indução a Publicação de Alto Impacto), evento acadêmico anual em que o programa convida para compor a banca professores com Produtividade em Pesquisa de diferentes instituições. O objetivo é avaliar os projetos dos alunos ingressantes do ano (mestrado e doutorado), do ponto de vista metodológico e teórico, a fim de melhorá-los para que possam gerar bons resultados e que também gerem publicação em revistas de alto impacto, já para as aula públicas de qualificação dos alunos de doutorado (temas atuais relacionados à biodiversidade) são avaliados: a capacidade do discente de planejamento e organização da aula, o domínio do conteúdo proposto, capacidade de comunicação, síntese, terminologia utilizada entre outros.

Alunos integrantes do LACOS 21 fizeram suas apresentações de mestrado, doutorado e aulas públicas de qualificação. Os impactos das mudanças climáticas na biodiversidade foi tema do doutorando José Gilmar. Em sua aula, Gilmar apresentou uma compilação dos principais tipos de respostas que estão sendo observadas nos organismos, atualmente, frente às mudanças climáticas e quais os efeitos que podemos esperar com as expectativas de maiores mudanças climáticas em decorrência do aquecimento global.

O tema apresentado não foi o mesmo de sua pesquisa da tese, onde o mesmo trabalha com áreas protegidas e governança, mesmo assim foi aprovado com sua aula admirável. Portanto, o LACOS 21 não poderia deixar de convidá-lo a puxar o assunto aqui, no nosso espaço!

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E BIODIVERSIDADE 

Com as acentuadas emissões de gás carbônico pela queima de combustíveis fósseis, gás metano e óxido nitroso gerado em grande parte por atividades relacionadas à agropecuária. A grande quantidade de gases estufa na atmosfera acaba gerando uma enorme barreira com alta capacidade de retenção do calor, o que tem acelerado cada vez mais as mudanças climáticas – já sabemos de quatro eventos desse tipo, mas nenhum com mudanças tão rápidas quanto o que estamos vivendo atualmente. As mudanças nas condições do clima levam à alterações ambientais, transformando habitats que passam a ser inadequados para algumas espécies.

Como resposta, as espécies mudam sua distribuição, migrando para áreas com condições mais adequadas, adaptando-se às novas condições, o que sugere-se que leve de milhares a milhões de anos. E, quando a espécies não pode migrar ou se adaptar, pode vir a ser extinta. Tragicamente, é o que já espera-se para o urso polar, uma espécie que tem alta dependência do clima polar ártico e que com o derretimento de geleiras, em função do aquecimento global, apresenta declínio populacional jamais visto. Tanto no mar como em terra e águas continentais, muito pode ser perdido da biodiversidade. No caso de ambientes marinhos, os principais organismos afetados são os corais e nos ambientes terrestres são os anfíbios o grupo de organismo mais afetados.

Com o aumento da temperatura dos oceanos, os corais perdem as zooxantelas, microorganismos que vivem em simbiose com os mesmos, fornecendo energia orgânica para que o coral possa se manter. Além de serem responsáveis pelas cores vivas e exuberantes dos corais. Com a perda das zooxantelas, o coral fica com aspecto branqueado, enfraquecendo e podendo vir a morrer. A perda da cobertura de corais em um ambiente recifal, compromete todo o ambiente ao seu redor, devido a enorme quantidade de espécies que dependem dos recifes formados pelos corais para completar seu ciclo de vida.  

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Foto: The Ocean Agency/Richard Vevers

 

Soma-se ao efeito direto da temperatura, a acidificação dos oceanos, desencadeada principalmente pela concentração de CO2 (gás carbônico) atmosférico. O gás carbônico é um gás ácido, enquanto a estrutura do coral é constituída por carbonato de cálcio, que é básico. Com o aumento de gás carbônico, a acidez dos oceanos aumenta, fazendo com que o gás carbônico reaja com o carbonato de cálcio do coral, enfraquecendo ainda mais sua estrutura, tornando-o quebradiço e levando-o a morte.

No caso dos anfíbios, os principais impactos percebidos até então estão relacionados à maiores períodos de seca e atraso nas chuvas. Os anfíbios são um grupo de organismos altamente dependente da existência de corpos d’água para completar seu ciclo de vida. Com o aumento das temperaturas médias, os períodos secos estão ficando cada vez mais longos, fazendo com que algumas espécies tenham suas populações drasticamente reduzidas. Além disso, o atraso nas chuvas leva a mudanças no período reprodutivo de outras espécies, o que pode ter efeitos inimaginavelmente desastrosos, uma vez que cada espécie desempenha um papel fundamental para o funcionamento de um ecossistema.

São poucos os exemplos aqui expostos frente a magnitude das mudanças climáticas atuais à biodiversidade. Mas, por mais que possamos tentar prever o que acontecerá com a biodiversidade e com nosso mundo, ainda não temos a resposta, já que as mudanças climáticas estão sendo aceleradas cada vez mais pelos gases estufa.

É fato que as mudanças climáticas são eventos que naturalmente acontecem, mesmo sem intervenção humana. Entretanto, a velocidade em que estão ocorrendo são fruto de um “efeito catalisador” no qual nossas ações são responsáveis, levando à perda de espécies que desempenham um papel para o bom funcionamento do ecossistema. Perder uma espécie em um ambiente seria como perder uma engrenagem de um relógio: Não haveria mais garantia de que o relógio funcione bem!

Além disso, vale lembrar que também somos prejudicados direta ou indiretamente. Já que resultam em alterações drásticas na produção alimentar, geração de energia etc. Precisamos, de maneira geral, repensar nosso modelo de desenvolvimento, manter as discussões com outras nações e especialistas e nos comprometer com agendas ambientais e metas internacionais.  Além, é claro de fazer nosso papel individual, em nosso cotidiano, seja reduzindo uso de plásticos, reciclando, evitando excessos e desperdícios de alimento, água, energia etc.

Por: José Gilmar Oliveira e Norah Gamarra

 

Sugestão: Vídeo da Grande Barreira de Coral na Austrália no Notícias ao Minuto.

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